Ao povo o que é do povo.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não utilizou exatamente esse clichê, mas o sentido de sua afirmação é praticamente o mesmo. "A partir deste momento, o parque do Povo volta definitivamente para o povo da cidade de São Paulo", disse em discurso, na cerimônia de assinatura do acordo que concedeu à prefeitura a administração do parque, localizado no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo.
O terreno tem pouco mais de 111 mil metros quadrados e localiza-se à margem do rio Pinheiros. Na segunda quinzena de agosto, a Caixa Econômica Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), proprietários do lote, transferiram a administração do parque ao município, pelos próximos 20 anos. É tempo suficiente para, de fato, implantar ali o parque do Povo.
A prefeitura quer torná-lo uma das principais áreas de convivência da capital. A ressalva quanto ao tempo previsto para implantar o equipamento urbano deve-se aos antecedentes: em 1996 a prefeitura obtivera o mesmo direito, mas, dez anos depois, nada havia feito.
Agora, além da intenção, existe ao menos o projeto para o parque. O autor do trabalho é o escritório Aflalo & Gasperini, em conjunto com os arquitetos José de Souza Moraes e José Luiz Brenna. Dizer que nada foi feito com a área ao longo desse período não corresponde totalmente à verdade, pois, aparentemente, as intervenções viárias na região fizeram com que o terreno do parque se reduzisse.
Nota-se esse encolhimento na comparação entre a área citada acima e a do projeto desenvolvido pelo arquiteto Carlos Bratke para o local, publicado por PROJETO DESIGN na edição 130, de março de 1990. Bratke, informava o texto, fora contratado pela CEF e pelo Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (Iapas, órgão que foi extinto quando da criação do INSS) para criar as bases de ocupação do local.
A ficha técnica informava que a área do terreno era de 152 mil metros quadrados. Ali seriam implantados um hotel, um edifício de escritórios e um shopping center subterâneo.
O secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, disse à imprensa que pretende fazer do local um espaço nos moldes do parque da Aclimação, com campo de futebol, quadras esportivas, playground e um teatro de bonecos.
A bem da verdade, a proposta do novo parque não foi desenvolvida diretamente para a prefeitura, mas para a Associação Colméia, organização não governamental que tem como foco de atuação a Vila Olímpia, bairro vizinho ao parque.
O projeto ainda está em desenvolvimento, mas o arquiteto Roberto Aflalo informa que uma das diretrizes é mesmo remover do local o máximo possível de construções. Texto veiculado no site Arcoweb.com.br
Resumido a partir de reportagem de Adilson Melendez Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN Edição 320 Outubro de 2006.
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Publicado em: 9/11/2007
Fonte: Bueno Netto