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Zeis despertam apetite do mercado

"Cansei de brigar contra as Zeis", diz o construtor Adalberto Bueno Netto, responsável por um dos maiores empreendimentos imobiliários da cidade em uma Zona Especial de Interesse Social. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, há outros seis condomínios do gênero prestes a serem concluídos e vários outros esperando aprovação de projeto.

Rejeitadas pelo setor imobiliário na aprovação do Plano Diretor de São Paulo, em 2002, quando foram instituídas, as Zeis começam a vingar. No ano passado, algumas chegaram a ser questionadas nos debates de revisão do plano, porém, a Prefeitura faz planos de ampliá-las das atuais 750 para 1.200.

"Nós estamos procurando outros terrenos em Zeis. Queremos lançar mais empreendimentos parecidos porque encontramos uma equação que nos permite lucro", afirma Bueno Netto.

As Zeis foram criadas pelo Estatuto das Cidades, lei federal de 2001, para congelar o preço de terrenos bem localizados da cidade. Com a especulação imobiliária, essas áreas acabam ficando caras demais e inviáveis para a construção de empreendimentos para a classe média baixa e para a população de baixa renda. O congelamento é feito por meio das restrições, que acabam desvalorizando os terrenos.

"Nos estudos elaborados por alunos, investir em Zeis revelou lucros fantásticos. Nunca entendemos direito porque a iniciativa privada não se interessava em investir em habitação de interesse social, a não ser pela ótica do preconceito, do trabalho que dá vender três apartamentos de 50 m² em vez de um único de 150 m²", analisa Ermínia Maricato, especialista do Laboratório de Habitação da USP. "Esta é uma ótima notícia."

Publicado em: 19/2/2008
Fonte: O Estado de São Paulo

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